1 de nov de 2015

"Não precisar"




Aprendi que a primeira coisa para estar com alguém é não precisar dela. É simplesmente estar por não precisar. É você conseguir se sentir tão bem consigo mesmo que a percepção de se sentir completo, seguro, cheio, a sensação de conseguir dar seu melhor, ser o melhor que se pode ser dentro das suas limitações te dar o direito de permitir que alguém entre.
É absurdamente difícil lidar com nossos porões, falhas... Fico excessivamente irritada quando não sou o que eu queria ser, e me pergunto “como colocar alguém em meio a essa confusão?”, não seria justo com ninguém, nem com o outro nem comigo. Se curar, se cuidar, olhar pra frente, ser o que eu quero ser e daí sim, abrir as portas e acrescentar, somar... Óbvio que nunca chegaremos a perfeição, e não é isso que imponho, mas apenas o bem-estar, o estar em paz, estar satisfeito para poder satisfazer, me amar, gostar do que vejo quando olho no espelho, para então poder amar de volta.
Esse “não precisar”, na realidade é uma preservação do sentimento mais puro, é uma doação sincera do meu melhor sem perder a consciência do meu pior, mas sabendo administrar e não passando para o outro essa responsabilidade.
O “não precisar” é saber que no fundo preciso, mas reconheço e respeito o meu momento e o momento do outro. Reconheço, que amadurecer, se curar, crescer, leva tempo e que esse tempo deve ser respeitado. Amar requer renúncia, sacrifício, e acima de tudo entender que o amor é um sentimento que demora para florescer, requer cultivo e que esse amor começa em mim, para então ser partilhado para o outro, amar também é separar para depois juntar.
Amor não é egoísta, o “não precisar” é um preparo para o que se espera para uma vida. Talvez no final, eu de fato não precise e isso não será ruim, será um sinal que me conheço e aprendi a lidar comigo de outro modo, e que posso ser feliz com alguém, mas que também posso ter a felicidade plena sendo apenas eu comigo mesma, e essa satisfação bastará.
Karlinha Ferreira

Nenhum comentário:

Postar um comentário