20 de dez de 2014

Compreensão


Fazia tanto tempo que eu não acordava bem (quando dormia), tanto tempo que eu não ficava bem, que já havia esquecido como era se sentir assim.
Nos últimos tempos tenho me sentido completamente bagunçada, não sabia como lidar com as pessoas mais próximas, culpei o mundo. Quando na realidade a culpa sempre foi minha, e da minha falta de jeito para lidar com meu próprio mundo, ninguém tem obrigação nenhuma comigo, ninguém, nem mesmo as pessoas que considerava mais próximas. Como exigir de alguém algo que nem eu conseguia me dá?
Compreensão, tive que aos poucos ir adquirindo, com ajuda externa, porque sem nossos anjos (amigos) a gente não chega longe, e se chegar não se tem a mesma alegria nem o mesmo brilho.
Ás vezes a agitação quer tomar conta, eu só tento agora, consciente, administrar as coisas que estão dentro de mim. E acreditem, é tarefa difícil. Mas saber usar cada coisa que é a mim ofertada, e tentar usar isso à meu favor.
Aos poucos a sabedoria vem chegando, aos poucos vou me redescobrindo, vou aprendendo a lidar, assim volto a ser quem sou, livre de algumas amarras e com a capacidade de enxergar de fato todos os lados da vida.

Karlinha Ferreira

15 de dez de 2014

Partida


Dois meses foi o tempo que os familiares, amigos, e os segredos tiveram para saberem da gravidade da doença, ter fé que tudo ficaria bem, dois meses foi o tempo que foi dado para aceitar a desistência dos médicos, dois meses foi o tempo cedido para que todos pudessem se despedir. Mas quem iria se despedir de um ser a quem tanto se ama? Dois meses foi o tempo em que se acreditou que um milagre viria.
Poderia colocar a culpa na morte, mas na realidade é a vida que é assim, nascemos para um propósito, para uma missão e quando menos esperamos somos tragados sem prévio aviso.
Lembro-me do dia em que tudo começou, do grito, da dor, ouvi do outro lado da linha, da espera e busca pelo diagnóstico. Da aflição quando enfim encontraram. Alguém poderia dizer, é câncer, já era de se esperar, diga isso para a esposa que dorme ao lado do amado, ou para filha que ora todas as noites para que a mãe volte pra casa, diga isso para os amigos que acreditam tão fortemente que a energia chega a ser palpável, diga isso pra mãe que acompanha diuturnamente o sofrimento do filho, mas crê com todas as forças que verá o filho realizar os mais bizarros sonhos.
Dois meses foi o tempo para reconhecer que tudo nesse plano é fugaz demais. Não tem como mudar. Dois meses. Tudo tão rápido, é uma mãe que não verá seus netos, é uma filha que a mãe não verá mais, é uma irmã, uma amiga que se vai.
É noite e não há estrelas no céu, é noite, e a lua está tímida, é noite e mesmo sabendo que a senhora está bem, não me sinto acolhida. A noite parece entender o sofrimento gerado, no coração de todos, é noite e hoje saberemos que você está em um lugar onde não sentirá mais dor, nosso coração vai ficar com a sensação de que falta algo, mas sua energia nos acompanhará para sempre, até o dia em que todos iremos nos encontrar para festejar. Obrigada por cumprir sua missão, obrigada pelo diamante que você lapidou e deixou pronta para nós, vá em paz...
Que os bons ventos levem seu espírito para um lugar de luz e que consolem os seus...

Karlinha Ferreira
Define bem...

9 de dez de 2014

Sonho


“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão”

Eu particularmente preciso de adrenalina, preciso que os meus olhos brilhem, sei que a vida é feita de trabalho duro, mas no meu caso, minha recompensa é fazer meus olhos brilharem, é ter um sorriso largo nos lábios, e me sentir viva.
A sensação de liberdade, a sensação de saltar a 10.000 pés de altura, fez com que eu me sentisse mais viva e mais livre que nunca. Passar por entre as nuvens, descobrir “que elas não são feitas de algodão”, sentir o frio, a velocidade, vê tudo tão longe, voar... Simplesmente, me apaixonei, era um sonho de muitos anos, e sonhos se realizam...
Vivo um instante de cada vez, e o que foi feito para ser eterno, eternizado será.
Karlinha Ferreira

2 de dez de 2014

Efervescência


Meu sono anda irregular, mas isso não me causa espanto. Gosto da noite, e pareço repetitiva ao declarar meu encantamento com a noite/madrugada, mas é onde vivo os melhores momentos comigo mesma. É o instante em que me descubro mais, que vejo os erros e acertos do dia, e me sinto em paz, ou não.
O que está borbulhando na minha mente hoje é “efervescência”, penso no medo que sinto em passar por esse plano despercebida, sem ter vivido uma vida efervescente. Procuro viver da forma mais intensa possível, o tédio é o que acaba comigo, enlouqueço com a monotonia.
Às vezes se eu pudesse só viveria em “80”, sempre na intensidade, sempre no limite. Mas alguém me disse que a gente precisa moderar, de um meio-termo, confesso que me adequar a isso é bem difícil, gosto de novas sensações, novas descobertas. Mas também sei que a vida real exige essa moderação tão falada, tão pregada.
Não acredito que as pessoas se tornem efervescentes, ou são ou não são. Há quem se pode, mas prefiro alçar voo, e descobrir o que a vida tem guardado pra mim. Sabendo que isso sempre tem um preço, mas o que não tem?
Efervescência, continue vibrante, continue sedutora, que juntas desvendaremos o mistério que é a vida.

Karlinha Ferreira

1 de dez de 2014

Desabafo


Suspensa é como me sinto. No ar, apenas observando a vida acontecendo, realidades vêm e vão, mas nenhuma delas parece ser minha, ao menos não minha de fato. Fico olhando para os caminhos já trilhados, fico pensando em tudo que já foi dito, prometido, quebrado, e não, essas realidades não são minhas.
Na realidade que faço parte, ou que ao menos deveria as coisas eram mais simples, não se precisava mentir para se chegar a outro coração, dinheiro era algo secundário, e as pessoas te curtiam pelo que você é. Os bons sentimentos eram primordiais e tudo fazia sentido, havia uma lógica nisso tudo.
A realidade que é a mim imposta, é cruel, há sofrimento demasiado para os bons, e recompensa para os maus. Parece ser real, mas não é a minha realidade, nem meu lugar. São tantos caminhos, algum terá que dá em um lugar repleto de nobreza, onde a calmaria há de reinar.
O amor de duas almas entrelaçadas e predestinadas a ficarem juntas, na minha realidade é isso que acontece e não é um fato pontual, é constante, continuo, mas jamais corriqueiro. Amor ainda seria o sentimento mais sublime.

Karlinha Ferreira