28 de mar de 2017

28-03-2017

(Fotografia: Karlinha Ferreira)
Há um momento na vida que apesar do caos que me circunda, algo parece surgir para clarear a minha mente. Para nos entregar um pouco de esperança e podermos continuar.
É difícil quando nossos sonhos aparentam ter se perdido, dói quando a direção nos é tomada, a falta de foco, falta de força faz com que queiramos desistir, que tudo acabe depressa, e que a vida seja breve.
O bom de ser acertada por uma luz é que tudo que gostaríamos que acabasse, agora queremos que se multiplique e que no final saiamos vencedores. Todos os dia uma batalha surge, a inércia, a angustia, a ansiedade, o medo do fracasso, o medo de decepcionarmos a nós mesmos. São batalhas que devem ser travadas uma por vez, entendi que não adianta querer abarcar o mundo e querer realizar tudo de uma única vez.
Um dia por vez, uma vitória por vez, e no ritmo certo eu creio com todas as minhas forças que chegaremos lá. Eu não vim até aqui para desistir aos 44 minutos do segundo tempo.
Sempre em frente, mesmo que devagar e aos poucos, até aprendermos a correr e alçar o voo.
Aqueles que tem o espírito livre sabe o quanto é surreal está nas alturas, e é para lá que quero voltar, voltar a voar, voltar a ser feliz.
Com compaixão, fé e força se chega aonde se quer, ou ao lugar que pertencemos de verdade. E é isso que tem me dado a instiga que preciso. As respostas chegarão na hora que a energia que rege o universo julgar que estamos preparados.

“Sempre em frente, não temos tempo a perder”

Karlinha Ferreira

7 de fev de 2017

08-02-2017


Saudade, ô sentimento pra gerar aperto no coração. É o típico sentimento que escolhe abraçar a gente. Não é um abraço dos melhores, a gente chora, a gente xinga, a gente fica quieto, grita para o mundo... dá cambalhotas, mas ele não some.
Precisa da pessoa certa, do abraço certo, do “você vai conseguir”, vindo da voz certa.
Não tenho problemas em ter saudades, tenho problema em mantê-la, não aguento. A vontade é de correr pros braços de quem a gente quer e dizer: “vai mais não, fica. Mesmo se eu te mandar embora, fica. Sou louca às vezes”. Mas não é o que a gente faz, na maioria das vezes ficamos inertes esperando o tempo curar, e gritando com o tempo para ele ir depressa, porque saudade dói. E dói pra cacete.
Queria usar termos fofinhos, mas não dá, porque saudades a gente quer matar. Como usar um termo suave pra isso?
Penso, penso, mas não encontro, ao menos não quando ela está assim, rasgando por dentro. Só ecoa o “vai não, fica” ou o “volta, eu sou assim, mas fica”.

Karlinha Ferreira

12 de jan de 2017

11-01-2016


Você aparece como tempestade de verão. Sem aviso, devastador. Você não é daquelas tempestades agradáveis que muitas cidades esperam. Parece mais um furação desestabilizando os que estão a sua volta e que se fosse em circunstâncias diversas se alegrariam com seu surgimento.
Você parou de ser alegria no momento que seu ato foi de traição, traição dos seus. Como confiar em alguém que trai seu próprio povo? Como se alegrar com alguém que sequer lembra que os seus existe?
Alguém muito sábio me disse cada decisão que tomamos são muitas outras que deixamos de tomar. Não há como você chegar e querer festa se sempre que passa deixa tristeza e decepção.
Assim é você, egoísta, desconfiado e traidor. E assim se tornaram os seus em relação a você, indiferentes.
Festa se faz quando reunimos os que consideramos e por quem somos considerados, não há festa com você.

Karlinha Ferreira

27 de dez de 2016

Fragmentada


No dia que você se foi meu coração parou por alguns segundos, minha respiração cessou e tudo em mim desmoronou. Fumei uma carteira de cigarro, tomei várias doses de Whisky e desejei que tudo em mim fosse refeito, mas não foi. Você era minha parte sã, era quem dava asas a muitos dos meus sonhos e agora, bem, agora era só eu, um coração fragmentado e uma dor insuportável... Não tive outra escolha a não ser sentir tudo aquilo todos os dias, chorar cada lágrima que aquela paixão merecia. Eu não contava os dias, perdi a noção de tempo você era o único pensamento. Senti tanto, doeu tanto, chorei tanto... Até que sem perceber parei de sentir, e eu já estava reconstruída, coração com uma cicatriz, porém inteiro. Pude respirar e sorrir outra vez, quem disse que tudo passa não mentiu. Tudo passou, inclusive você.

21 de dez de 2016

21-12-2016



Sobre almas gêmeas...
Acredito que trata-se de um reconhecimento de almas, elas não são idênticas, nem sempre com os mesmos hábitos, porém, uma vez que se encontram é extremamente doloroso se desconectar uma da outra. Não falo de separação de corpos, mas de ligação.
Ter alguém para onde você sabe que pode voltar, alguém que acalenta, que é um pouso e um lar, não precisam coabitar, mas precisam estar conectadas.
Não tenho ideia de quantas vidas uma passa procurando pela outra, quantos corações são partido e refeitos, mas a alma que pertencem uma a outra sempre encontram um jeito de voltar, não importa quanto tempo leve. Quanta dor, quantos sorrisos vazios, elas sempre voltam.
Os defeitos podem ser gritantes, mas as qualidades são uma voz que ecoa durante o infinito. Não há o que falar em se completar, elas são completas por si só, apenas se somam, e o resultado é uma união perpétua. Independente de romances.
Almas gêmeas nem sempre tem a ver com o amor romântico, mas com a cumplicidade, entendimento e energia.Com o amor na sua plenitude. As almas se pertencem porque é assim que é. E assim serão sempre.
Podem casar-se, claro, ser enamoradas, mas serem simplesmente amigas ou tudo isso junto. Um lar. O lugar que você se sente mais protegido e mais protetor.

Karlinha Ferreira

5 de dez de 2016

05-12-2016


Hoje não consigo dormir, estou fora de mim. Pensamentos tomam conta da mente e o corpo reage, fica alerta, aceso.
A cabeça dói, dói muito, segundo dia com ela assim. Tento pensar de maneira ordenada, criar uma linha de pensamento, ou simplesmente esvaziar a mente e dormir. Mas as tentativas são em vão. Estava em um período relativamente bom, sem insônias, cambaleando às vezes.
Essa madrugada não é como as outras, algo dói, algo inquietada parecendo uma navalha, algo pressiona o peito, mas ainda assim é noite, ainda assim consigo com esforço respirar.
A noite está quente, mas o céu continua lá, e sei que enquanto puder olhar para o alto e avistá-lo, estarei bem.

Karlinha Ferreira

21 de nov de 2016

Gil


Ainda sobre o tempo...
Ainda mais importante do que vê-lo, ou senti-lo passar, é saber viver cada fragmento que ele nos dispõe. Esse ano vem me mostrado o quão frágil e fugaz é a vida. Muitos adeus foram dados, e isso mexe demais comigo.
Acordei com uma saudade louca de conversar com Gil, o cara era demais, tinha uma grandeza daquelas que é rara de encontrar em alguém. Ele apesar de ser evangélico, de ter uma fixação por doutrinas da igreja. Nada disso nunca fez com que ele julgasse, nunca o fez se sentir melhor ou pior que qualquer outro.
Jamais li no Orkut qualquer coisa que deixasse alguém mal, por suas palavras. Ele era o cara.
Lembro que de Gil tive a oportunidade de me despedir, ele não era mais tão forte fisicamente, mas nunca se deixou abater. Apesar da dor causada pelo Câncer, da debilidade, seu sorriso e mansidão continuavam lá. Não sei se um dia existirá alguém como ele. A expressão dele era sempre de fim de tarde, aquela expressão boa, que fazia com que a gente se sentisse acolhido.
Já faz tanto tempo mas sua falta nunca será amenizada. Você era grande demais, bom demais, amigo demais... Os grandes jamais são esquecidos. Te amo, sinto sua falta.
Ele era bom demais para esse mundo, por isso foi levado depressa, é assim que tento me convencer. Gil foi embora cedo demais...Meu amigo, meu amarelo, até a próxima vez...
Karlinha Ferreira