5 de dez de 2016

05-12-2016


Hoje não consigo dormir, estou fora de mim. Pensamentos tomam conta da mente e o corpo reage, fica alerta, aceso.
A cabeça dói, dói muito, segundo dia com ela assim. Tento pensar de maneira ordenada, criar uma linha de pensamento, ou simplesmente esvaziar a mente e dormir. Mas as tentativas são em vão. Estava em um período relativamente bom, sem insônias, cambaleando às vezes.
Essa madrugada não é como as outras, algo dói, algo inquietada parecendo uma navalha, algo pressiona o peito, mas ainda assim é noite, ainda assim consigo com esforço respirar.
A noite está quente, mas o céu continua lá, e sei que enquanto puder olhar para o alto e avistá-lo, estarei bem.

Karlinha Ferreira

21 de nov de 2016

Gil


Ainda sobre o tempo...
Ainda mais importante do que vê-lo, ou senti-lo passar, é saber viver cada fragmento que ele nos dispõe. Esse ano vem me mostrado o quão frágil e fugaz é a vida. Muitos adeus foram dados, e isso mexe demais comigo.
Acordei com uma saudade louca de conversar com Gil, o cara era demais, tinha uma grandeza daquelas que é rara de encontrar em alguém. Ele apesar de ser evangélico, de ter uma fixação por doutrinas da igreja. Nada disso nunca fez com que ele julgasse, nunca o fez se sentir melhor ou pior que qualquer outro.
Jamais li no Orkut qualquer coisa que deixasse alguém mal, por suas palavras. Ele era o cara.
Lembro que de Gil tive a oportunidade de me despedir, ele não era mais tão forte fisicamente, mas nunca se deixou abater. Apesar da dor causada pelo Câncer, da debilidade, seu sorriso e mansidão continuavam lá. Não sei se um dia existirá alguém como ele. A expressão dele era sempre de fim de tarde, aquela expressão boa, que fazia com que a gente se sentisse acolhido.
Já faz tanto tempo mas sua falta nunca será amenizada. Você era grande demais, bom demais, amigo demais... Os grandes jamais são esquecidos. Te amo, sinto sua falta.
Ele era bom demais para esse mundo, por isso foi levado depressa, é assim que tento me convencer. Gil foi embora cedo demais...Meu amigo, meu amarelo, até a próxima vez...
Karlinha Ferreira

15 de nov de 2016

15-11-2016


É interessante como cada um de nós tem uma percepção do tempo peculiar.
Para aquela pessoa que está apaixonada, mas que o objeto do seu desejo não está na mesma frequência. Enquanto esta pessoa espera, o tempo passa de forma desordenada e acelerada, é segunda-feira, mas de repente já é mês que vem, e ela ainda continua pensando incessantemente no ser amado.
Já para a outra pessoa que está tentando uma nova conquista, é como se o tempo passasse em câmera lenta. Ela conversa, manda mensagem, corteja e não se apercebe do tempo que está passando, assim também o é para os enamorados.
As decepções às vezes nos acorrentam, fazem com que paremos no tempo, sempre revendo o mesmo filme da nossa vida. Inertes. Nos flagramos pensando no que poderia ter sido, mas não foi. Em certos casos somos acorrentados por nossos próprios erros, por nossa própria covardia. A nossa incapacidade de ter sido o melhor para quem amamos.
O que nos resta é tentar sincronizar o tempo para que o rancor, a raiva e a incompetência sigam seu fluxo normal.
Lidar com o que poderíamos ter sido dói. Mas enxergar o leque de oportunidades daquilo que ainda podemos ser, é libertador.


Kalinha Ferreira

1 de nov de 2016

01-11-2016

(Foto: Karlinha Ferreira)

Esse ano não está sendo fácil em diversos sentidos. É difícil inclusive agradecer.
Mas hoje, depois de uma noite insone vislumbrando o céu, com a brisa fria típica da cidadezinha do interior, senti-me grata. Essa gratidão, me fez prestar atenção nas pequenas coisas que estão ao meu redor e que estou conseguindo manter.

Nada tem me faltado, ao menos nada que realmente importe. Meu coração está cheio de bons sentimentos, transbordando, e desejando o boas energias para as pessoas e o universo. Peço que a calmaria invada os corações e que o olhar de cada um seja direcionado a olhar o lado bom da vida. O lado ruim, é a nós imposto todos os dias.
Que os bons ventos no cerquem e conservem nosso sorriso bobo!
Karlinha Ferreira

16 de out de 2016

Espiritualidade e Homossexualidade

Certa vez li algo que falava sobre amor e espiritualidade, relacionando esses fatores com a homossexualidade. E o autor dizia que pessoas homossexuais poderia sim ter uma vida com Deus, desde que deixasse seus impulsos e desejos de lado.
Me pergunto, alguém pediu para nascer homossexual? Alguém se torna homossexual? Alguém tem direito de escolha?
Ao meu ver só há uma resposta para essa pergunta, NÃO!
Se uma pessoa é heterossexual e pode namorar com alguém que sinta atração, com alguém que ame e ter uma vida sexual e espiritual. Por que o homossexual tem que abrir mão do amor para ter uma espiritualidade?
O que vejo em muitas igrejas, templos... Religiões de forma geral é que, se você for gay e tiver uma vida socialmente aceitável, tudo bem. Mas se você for gay e quiser ser aceito em um ciclo religioso, isso custará tudo, sua dignidade, sua espiritualidade, seu caráter, sua fé... Esse amor não é aceito.
O que é aceito é que você, homossexual, use uma máscara, finja interesse por uma garota, case com ela e, ou você vai pra cama com ela pensando em outra pessoa, ou não vai pra cama com ela e acaba chegando há determinados limites, há a depressão, há o adultério, há o peso que é lhe imposto além. E aquela garota que você, homossexual, acha que fez bem em ficar com ela, acabou trazendo a ruína para ela também.
Se você não a procura, ela inexperiente, pensará que a culpa é dela, ela é mulher e também está passível a se sentir atraída por alguém que lhe dê mais atenção.
Penso que se cada pessoa vivesse o amor, apenas o amor, o mundo seria um lugar melhor. Não existe amor mais feio ou mais bonito, o que existe é sinceridade, verdade.
Não acredito que uma vida de sofrimento e negação seja a vida que uma força superior queira para qualquer um, pois Ele estaria sendo no mínimo injusto.
Poderiam dizer que o ser humano não foi feito para ser feliz nesse mundo, eu discordo. Acredito que as ferramentas para a felicidade estão aí, ao alcance de todos. Apenas é preciso parar de ter medo e pensar que a espiritualidade que se almeja está em lugar “a” ou “b”. E procurar fazer o bem, amar e buscar uma vida íntegra. Integridade independe de religião.
Amor é só amor. E há um amor plural. O seu modo de amar não é errado porque é diferente!
Karlinha Ferreira


P.S. Após um amigo ler o texto antes de ser publicado, me recomendou o filme “Prayers for Bobby” (Orações para Bobby), assisti e amei, desidratei e recomendo.

3 de out de 2016

04-10-2016


Estou sinceramente assustada com o ano de 2016.
São tragédias de todos os tipos, muitos adeus sendo ditos precocemente, muitas pessoas que estão sofrendo, sendo invadidas e a única sensação que fica além da perda é a impotência. E a única pergunta que vem à mente é: quem será o próximo?
Já deu para perceber que não há uma ordem, que não há idade, apenas a partida. Apenas a dor. Sei que não estou sentindo tudo isso sozinha, mas há um turbilhão de pensamentos que nos invade.
Só almejo paz, sei que tudo tem um propósito, mas cabe a mim não entender, cabe a mim sentir raiva, dor, mágoa. E um dia talvez entender.
São vidas cheias de vida, são jovens, tão jovens. Deveríamos ter uma chance real. Hoje não consigo enxergar.
O que vejo são pessoas tentando estancar o sangramento (inclusive eu), para continuar lutando. Embora pareça que não tenhamos chance alguma.
Está doendo, está difícil. “Um dia por vez”, esse sempre foi meu lema e continua sendo. Sobrevivi por mais um dia.
Acredito que precisamos fazer o melhor que podemos, agora, não há tempo para ser bom amanhã, não há tempo para realizarmos nossos sonhos amanhã. Nosso momento é agora, é hoje. Façamos o que melhor sabemos fazer: viver!
Não ter o controle assusta, mas viver uma vida sem arrependimentos é o melhor, se preparar para perdoar amanhã, de nada vai adiantar se não pudermos chegar lá. Se for pra partir, que a partida seja leve, seja desvinculada de qualquer coisa que tire nossa paz.
Hoje mais do que nunca tudo em mim clama por vida. Uma vida bem vivida, uma vida com risco, paixão, intensidade, com amor e com compaixão. Uma vida onde eu escolho me dar uma segunda chance, de ser melhor agora. E de conquistar o mundo, porque ele é nosso!
Somos tão jovens!

Karlinha Ferreira

20 de set de 2016

18-09-2016

Às vezes quando estamos muito machucados, não queremos ferir ninguém, não queremos nada, exceto a cura. Que a dor passe depressa para que possamos seguir. É difícil quando esperamos mais de alguém. Mas ao mesmo tempo precisamos entender que as pessoas são só pessoas, e que em alguns casos nem elas mesmas sabem o dano que estão causando.
É por isso que se curar, aprender e seguir o fluxo da vida é o melhor. Por melhores que sejam as pessoas, elas sempre irão nos decepcionar, cedo ou tarde. Mas o que acontece quando nos desarmamos e esperamos o inverso, esperamos que elas nos surpreendam, mas não acontece?
São apenas pessoas, pessoas que acertam e que erram como qualquer uma, mas confesso que é péssimo quando esperamos mais de alguém.

Karlinha Ferreira