27 de ago. de 2014

Ausência

Algumas pessoas me causam uma falta que chega a ser cortante. Entendo, porém que cada um tem seu tempo, suas razões e que preciso (embora doa) administrar as ausências. Sei também que talvez não seja a melhor pessoa do mundo em se fazer entender, sei que nem sempre acerto nas escolhas. Às vezes sou infiel aos meus desejos, mas desejo, sinto falta e choro.
Sou aquilo que posso ser, talvez não da melhor maneira, não tão certa quanto eu supunha, mas na batalha pra evoluir. Ser quem desejo ser...

Karlinha Ferreira

20 de ago. de 2014

Ser Mulher


Fazia tempo que não sentia o peso de ser mulher. Havia esquecido que desde o nascimento somos criadas para nos responsabilizar por dois. Sempre. Se você é casada e se apaixona por alguém fora do casamento, a culpa é sua, porque você é quem tem compromisso e tem que se dar ao respeito, mas se você é solteira e um cara casado se apaixona ou dá em cima de você, você é mulher e tem que se dar ao respeito porque ele é homem e homem é assim, você, mulher vira uma destruidora de lar.
É incrível como ser mulher torna-se pesado. Precisamos nos policiar para não ser vulgar, porque nossa família ensina que quando uma mulher sai de casa vestida de forma “inapropriada” (entenda-se por inapropriado, roupa curta ou transparente, muito apertada ou com decote, resumindo qualquer roupa que cause algum tipo de lascívia) ela está possivelmente “pedindo” para ser desrespeitada, afinal ela saiu de casa “querendo, né?” ninguém que sai de casa assim, se veste pra nada. Mulheres, não precisam se sentir sexy, claro que não, nesse mundinho, elas sempre se vestem pra provocar alguém, para causar incomodo na sociedade decente em que vivemos, mas nunca, jamais elas se vestem para si mesmas.
Por incrível que pareça não levanto bandeiras extremistas do feminismo, pois não confio no tipo de feminismo que foi a mim apresentado nos dias de hoje, porém sou feminista na essência, na luta por querer um mundo com olhares e oportunidades iguais. Não quero ser feminista para dançar funck em uma festa usando vestidinho, mas se eu quiser fazê-lo, quero poder fazer sem riscos de ser desrespeitada por causa da roupa que uso ou música que ouço, também seria bom, receber os mesmos valores e ter o mesmo mérito nas conquistas.
Gente, mulheres podem não querer casar, o casamento não é uma lei, não é uma obrigação, e caras, vocês não estão fazendo favor nenhum para as mulheres que não casaram, dando cantadas pejorativas, e querendo levar a mulher pra cama, se ela quiser ir pra cama com você ela irá, e não fará isso por desespero, pasmem, mas mulheres também gostam de sexo, e querem poder gostar sem rótulos.
É triste, como a atitude alheia faz com que tenhamos nojo da espécie humana, e não falo apenas de homens, mas de gente de forma geral, quando um ser humano faz com que o outro se sinta mal por ser o que é, isso é realmente vergonhoso.
Sou mulher, sou humana, sou gente. Tenho desejos e sonhos, igual a qualquer um. Apesar de ter um rosto lindo, não sou apenas isso. Nem uma vagina que fala.

Karlinha Ferreira

16 de jul. de 2014

Coerência



Cabeça distante... Parece rodar o mundo, parece procurar um lugar inebriante e distante. Sinto que a mente está se adequando ao fluxo, sinto que os pensamentos estão coordenando tudo àquilo que faltava.
Os olhos estão esperançosos, no peito um coração que pulsa pela realização de um sonho. Toda a ansiedade veste uma roupa de coragem.
E é assim que o espírito se revigora, se renova, numa noite em que tem apenas a lua como testemunha, uma noite em que o pacto feito entre nós mesmos, uma promessa feita em segredo diante de uma lua que silenciosamente entende tudo que desejamos, entende nossas lágrimas e medos. Mas que vê nessa promessa uma chance de nos superarmos, de sermos mais.
Ela entende que somos o maior obstáculo na busca por nossos sonhos, sabe que vez por outra nos sabotamos, mas acredita na promessa que fazemos, porque sabe que desistir não está nos planos, e que é vencendo uma luta por vez, assim, aos poucos é que se chega onde se quer.
Ser fiel a nós mesmos, ser fiel aos nossos sonhos. Acredito que essa seja à base de tudo. Inclusive da tão sonhada felicidade.
Karlinha Ferreira

8 de jul. de 2014

Rotular pra quê?


Há algumas relações que, embora ninguém entenda, devemos continuar, sem mudar absolutamente nada, porque nem tudo que é sentido precisa ser esclarecido, acho que o que a gente esclarece demais, perde um pouco da magia.
Amor independente do seu tipo é amor, alguns mais, outros menos maduros, mas todos tem sua sublimidade, todos nos melhoram. Basta apenas sentir, se expor é difícil, e ainda mais em tempos que sentir, aparece sinal de fraqueza, em que o amor, o romantismo são démodé.
Sou uma romântica incontestável, sim, acredito que o amor melhora infinitamente o ser humano, acredito num sentimento que nos melhore e que veja o melhor que existe em nós. O amor é um sentimento que é tão forte, tão crédulo, que devido à fé que é em nós depositada nos transformamos no melhor que podemos ser. No ser humano que o ser amado sempre soube que poderíamos nos tornar.
Acredito que o amor é isso, um sentimento que nos circunda e que existe para nos trazer sensibilidade no processo evolutivo, fazendo com que a gente enxergue o mundo de um jeito melhor e mais puro.

Karlinha Ferreira

26 de jun. de 2014

Liberdade


É impressionante como esse clima ameno me faz bem, acalma a alma.
Um dia por vez, aos poucos retomo o controle, o tempo é algo que independe da nossa anuência para acontecer, o tempo está passando, lembro-me do que eu sonhava aos catorze anos, hoje bem mais tarde, alguns desses sonhos persistem.
Sair pelo mundo sem destino certo, com boa companhia, curtindo as surpresas da vida, dias de sorrisos soltos, confissões em lugares neutros, bater asas. Sinto que estou me preparando para o voo, sinto que a brisa toca meu rosto como um convite. Só preciso de mais um pouco de paciência, só é preciso um esforço a mais.
É necessário fechar alguns ciclos é importante viver ao máximo cada fase, sentir cada gosto, cada fragrância e sentir o que tiver de sentir e aí sim, voar sem arrependimentos. Uma conquista por vez, um objetivo após outro, a regra é: enxergar os sinais e obedecer ao fluxo. Lucidez, embora que para muitos pareça loucura. Liberdade, só quem levanta voo sabe.



Karlinha Ferreira

25 de jun. de 2014

Tagarelando/Pensando

É preciso evoluir como ser humano, como gente, e para que isso aconteça há uma necessidade de moldar o olhar para a vida, enxergando cada ocasião como uma oportunidade, e a consciência de que nada acontece por acaso. A vida tem um curso próprio, uma ordem, e nós precisamos aprender a nos mover.
Nietzsche escreveu certa vez: quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas. Amor-fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores, Que minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!
O amor ao destino não é uma renúncia, difere disto, é tomar o controle, é sair da escuridão e conseguir vislumbrar com lucidez cada ponto de evolução, cada forma, cada meio utilizado. E é sentir essa transformação acontecendo, às vezes não é algo imediato, mas quando acontece, podemos enxergar cada fator e isso é mágico.
Ter uma intimidade com nós mesmos, reconhecendo nossas limitações e nossa força. Ter consciência de que como nos encontramos não é nosso limite, não é o máximo que podemos alcançar. Precisamos crescer, e essa necessidade tem pressa!
Karlinha Ferreira

21 de mai. de 2014

Noite com chuva


A chuva veio me visitar... Adoro o som da chuva, sua beleza e suavidade, ás vezes parece que ela vem como testemunha dos meus pensamentos, isso me deixa leve, bem.
O tempo está voando, não espera por ninguém, eu que fiz tantos planos, ando deixando tudo a cargo da vida, tenho metas apenas para um dia, não consigo viver mais que isso no tempo que é a mim cedido, imposto. As horas correm, apenas ando no meu compasso, faço minhas atividades, e quando tudo está pesado demais, me recolho em mim. Crio meu universo particular, onde o tempo é o que menos importa, importa apenas encontrar meus diversos pedaços, e ser quem eu quiser ser no meu mundo paralelo.
Incenso de sândalo, boa música, muitos afazeres, mas no peito um coração tranquilo, apesar da mente trair, querer abarcar o mundo, as pessoas e satisfazer todos os prazeres. Um dia por vez, mil pensamentos por segundo, o ziguezaguear das minhas vontades chega a causar vertigem, mas se quiser saber se eu trocaria esse turbilhão pela normalidade, à resposta seria, nunca, nem em mil vidas. Me atropelo, me perco, me acho, mas acredito que o mistério da vida está aí, em vivê-la com a intensidade que ela exige.
Noite com chuva, pensamentos aleatórios, visitando lugares e seres em toda parte.

Karlinha Ferreira